Pr. Eziquiel Nascimento
Publicado em 16/09/2021
Quando Deus libertou Israel do Egito Ele começou o processo de fazer para Si um povo diferenciado dos demais: santo e salvo. Um povo que O servisse e anunciasse Sua graça, misericórdia e perdão a todos. Para isso precisava que Israel aprendesse a se comportar diante da “Sua Presença”; ou seja, como Deus único e santo, Ele queria para Si um povo único e santo. Esse povo (Israel) seria modelo para o mundo e dele sairia a “presença de Deus” encarnada para os homens, por meio da vinda de Jesus Cristo.
Então, como fazer de um bando de escravos, inconstantes, idólatras... uma nação organizada, diferenciada, santificada e pronta para que dela viesse a própria “presença de Deus” no meio da humanidade? Ou seja, na pessoa de Jesus Cristo, o próprio Deus em pessoa? Foi um processo longo, demorado, doloroso. O povo precisava aprender e ir se amoldando à santidade de Deus. Esse processo foi longo; com altos e baixos. Como fazer isso? Tudo começou com a libertação do Egito. Aos poucos Deus foi introduzindo no povo Suas leis, Suas regras e, também, muitas punições. Afinal, em qualquer lugar do mundo e da história, a quebra de leis requer punição. Passe em alta velocidade em um radar e será multado: é a lei.
Deus entregou Suas leis no Monte Sinai (Êx. 19-20). Com elas as consequentes punições pela quebra dessas leis. A principal era “não adorar outros deuses e nem fazer ídolos para serem adorados”. Depois disso, Deus chamou Moisés ao monte para ditar para ele todos os desdobramentos das leis (Levítico e Números) em cima dos 10 mandamentos, aos quais Israel já tinha prometido obedecer. Moisés fica no alto do monte, na presença de Deus, por 40 dias/noites. O que fez Israel? Um bezerro de ouro para adorar em lugar de Deus, quebrando a lei ou aliança já firmada entre as duas partes: Deus e Israel. O fato de Moisés quebrar as leis (10 mandamentos) é simbólico: a aliança entre Deus e Israel estava quebrada. Motivo: pecado da idolatria. Qualquer pecado hoje também é quebra de aliança do Homem com Deus.
Foi também no monte, que Deus deu a Moisés os detalhes da construção de um Tabernáculo. Este seria o símbolo da presença de Deus no meio do povo. O Tabernáculo deveria ser construído bem no meio do arraial, com 3 tribos acampadas em cada lado (NSLO). Com a presença de Deus simbolizada no Tabernáculo, Israel deveria ter a certeza de que Deus estava sempre presente e, portanto, vendo tudo que o povo fazia e sempre punindo a quebra dessas leis. Afinal, o povo precisava de algo palpável, concreto e visual para entender, aos poucos, o que significava a “Presença de Deus” no meio do povo.
O povo na sua pobreza espiritual sempre precisou de algo concreto para crer e adorar. Então, Deus na sua paciência infinita, estava começando um processo de ensinamento àquele povo para, paulatinamente, ensinar que a verdadeira adoração a Deus é “em espírito e verdade” e não por meio de símbolos, imagens. Como o povo de Israel já tinha firmado um contrato com Deus em não fazer qualquer “deus” para ser adorado em lugar do verdadeiro Deus, este puniu aquele povo com a morte de 3 mil deles. Era um processo de ensino-aprendizagem entre Deus e Israel e que serviria como alerta a Israel a todos os povos.
Nos capítulos 33 e 34 de Êxodo, após a quebra da “Aliança” por parte de Israel, Yahweh, estava mostrando Sua misericórdia: renovou Seu “contrato” com o povo. O texto mostra como o item principal não é a ira e castigo divino, mas Seu amor, misericórdia e graça para o pecador arrependido.
Deus chamou Moisés, novamente, ao monte e refez as tábuas dos 10 mandamentos (34:1-9) por causa do arrependimento do povo. Israel, ao se arrepender, ensejou a Deus aceitar isso como renovação da “Aliança”. E Yahweh fez Sua parte, ou seja, reescreveu a “Lei” em novas pedras. Moisés tinha que subir ao monte novamente, receber a “Lei” e entregá-la ao povo. Moisés recebe ordem clara de “cortar duas tábuas de pedra semelhante as primeiras” (34:1). Moisés faria as pedras e Yahweh escreveria novamente. Na primeira vez, pedra e escritura foram de Yahweh, agora Moisés tinha que fazer uma parte. Não foi castigo por ter ele quebrado as primeiras, todavia, indicativo de que, após a transgressão daquele que já desfruta da salvação, é requerido muito mais do que de um ímpio. Ninguém mais iria com ele (34:3). Fez tudo conforme Deus tinha ordenado (34:4).
A partir desse episódio o povo alegremente doou tudo que fosse necessário para a construção do Tabernáculo, símbolo da presença de Deus. Israel estava começando a aprender. Tudo foi construído do jeito de Deus. Interessante que a construção começou, diferentemente de qualquer construção: de dentro para fora. Lá dentro estaria a Arca da Aliança, símbolo da presença de Deus. Depois as outras coisas foram sendo construídas. Lá dentro, tudo de ouro puro, no pátio externo, bronze fino. Qual o símbolo? Quando Deus está dentro do coração do ser humano, o lado exterior, embora seja de menor qualidade, é algo lindo e que modifica tudo ao seu redor. Isso porque aquele que tem Deus dentro de si passa a ser “sal da terra e luz do mundo”. Até que o povo entrasse na Terra Prometida, o Tabernáculo, símbolo da presença de Deus esteve presente, na certeza de que Deus estava no meio do povo. Que lições preciosas podemos tirar desses capítulos finais do livro de Êxodo? Três lições podem ser retiradas do texto:
Conclusão: Arrependimento não é mero pedido de desculpas. Há profunda dor em Deus com o pecado. Que o diga o Calvário: quanto sofrimento pelo pecado alheio. O arrependimento sincero custa, às vezes, muito alto; porém é o único meio de restaurar a presença preciosa e redentora de Yahweh no ser humano. O término do livro de Êxodo (40:38) é épico: Yahweh era a demonstração graciosa da orientação, socorro e proteção que o povo precisava; ora por meio de uma nuvem ora por meio do fogo. Até para seguir viagem ou ficar no local, a glória dEle era o indicativo ideal. E isso aconteceu até a chegada à Terra Prometida. Nenhum dia Yahweh abandonou Seu povo, apesar das constantes desobediências e consequências. O povo de Israel pôde, a partir dali, alegrar-se na presença diuturna de Yahweh. Às duras penas aprendeu que era “muito melhor” obedecer ao “Senhor que é Santo” e misericordioso. Êxodo termina com essa nota fantástica da redenção e direção de Yahweh sobre Seu povo, apesar deste. Que Deus fantástico é Yahweh! A Ele toda honra e glória!
Venha refletir mais um pouco sobre essa história. Participe conosco do Café Metanoia, no YouTube, domingo 8h45min e 9h15min na EBD da IBVO (classe ADULTOS).